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COMENTÁRIO DO EDITOR
" Saiba a origem desse estilo relativamente novo. "

Híbridos Modernos: Wheatwine Ale - Por Doug Merlo

Fonte: Cervaleria em 28/03/2016
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Como um apaixonado por cerveja, devo admitir que o cenário americano artesanal é interessante justamente devido a criação desses híbridos, o que na minha opinião é muito mais fascinante que simplesmente usar lúpulos americanos em estilos clássicos.

SideBar-Lux-BOs EUA representam sem dúvida a nação cervejeira mais inovadora do momento, capaz de ditar modismo e tendência no mercado mundial cervejeiro. Entre as tantas novidades provenientes dos EUA, devo comentar as Cascadian Dark Ale (estilo que já escrevi um texto e pode ser lido aqui). No post de hoje vamos descobrir essa nova tipologia de cerveja que entrou como estilo na última atualização do BJCP (2015), as Wheatwine.

Como os leitores do Cervaleria podem imaginar é um estilo inspirado nas Barleywine mas que se diferenciam por um alto uso de trigo na receita. Então é uma cerveja de alta gradação alcóolica (podem chegar até 14%), estilo perfeito para ser consumido no inverno. A quantidade de trigo usado na receita pode tranquilamente superar os 50% dos grãos usados.

Obviamente o abundante uso de trigo na receita transparece no produto final em nível organoléptico. O trigo deixa a cerveja mais macia, traz uma leve acidez, deixa gosto mais limpo/redondo e melhora a estabilidade da espuma. Um pequeno percentual de malte caramelo tipo crystal também usado, oferencendo um particular aroma de caramelo muito evidenciado no gosto e retrogosto. Resumindo a adição de um elevado percentual de trigo maltado contribui para que a cerveja tenha uma particularidade organoléptica única, favorecendo a criação de produções definidas como “dangerous drinkable”.

iron-hill-winter-wheat-wineCom o tempo podemos observar no Beeradvocate, que os exemplares de Wheatwine estão em constante crescimento principalmente nos EUA, tanto que o site dedicou uma pagina só para esse estilo que vocês podem conferir aqui. Em 2012 já aparecia como um dos estilos aceitos no concurso de Great American Beer Festival, que encaixaram o estilo na categoria das Other Strong Beer.


Uma curiosidade sobre esse estilo é justamente o seu nascimento. Na metade dos anos 80 Phil Moeller, naquela época cervejeiro da cervejaria californiana Rubicon, cometeu um erro gravíssimo durante a mostura adicionando sem querer uma quantidade elevadíssima de trigo na receita original da Winter Ale que estavam produzindo no momento. E como é de costume no mundo cervejeiro, ao invés de jogar tudo fora, decidiu-se continuar a brassagem e por fim a fermentação e maturação para poder degustar essa “monstruosidade”. Diferentemente das previsões, a cerveja ficou deliciosa, tanto que o cervejeiro a transformou na produção oficial comemorativa do primeiro aniversario da cervejaria.

Smutty-Wheat-Wine-Ale_largeA partir daquele momento muitos cervejeiros americanos ficaram curiosos sobre essa cerveja da Rubicon, e muitas cervejarias começaram uma fase de experimentações compulsivas, muitas vezes esquisitas e estranhas por exemplo o uso de Brettanomyces e mel como a Wheatwine da COOP Ale Works. Extremismos a parte, as Wheatwine entraram na gama produtiva de muitas cervejarias, decretando absolutamente o nascimento de um estilo inédito!


Uma das principais interpretações desse estilo é a da cervejaria Smuttynose, a cervejaria conta que teve problemas com a Agência Federal Para o Álcool e Tabaco. Segundo a agência a presença do termo wine no nome da cerveja poderia resultar “enganador” para o consumidor que talvez estaria convicto de comprar uma garrafa de vinho ao invés de cerveja. A objeção da cervejaria foi simples: no mercado americano já existe a vários anos cervejas com nomenclatura Barleywine, e que então o bloqueio do nome Wheatwine seria insensato. No final a Smuttynose obteve a vitória, mesmo assim se passaram 2 anos para poder comercializar o produto.

12806106_1232225840124074_9120225162393540910_nAssim como as Cascadian Dark Ales tiveram um grande sucesso, não é difícil imaginar também um grande sucesso para as Wheatwine. Sem dúvida em breve tempo algumas cervejarias brasileiras também irão se aventurar nessa nova tipologia.


Alguns cervejeiros caseiros já estão se aventurando, eu mesmo já fiz a minha primeira produção de Wheatwine. A minha receita tem 75% de trigo maltado com 10.5% de álcool, gostei muito do resultado mesmo já tendo feito algumas alterações para a próxima produção. (foto ao lado)

Algum leitor da Cervaleria já teve a oportunidade de degustar alguma Wheatwine?

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Por Doug Merlo
Biersommelier Doemens Diploma
Italian Beertaster Diploma
BJCP Certified
Mixologist
Página: Beerfactory Homebrewing

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