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O mundo é da Sérvia

Fonte: Papo de Volei em 20/10/2018
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Sérvia 3x2 Itália
Boskovic

Todos estavam ansiosos para ver o confronto final entre Boskovic e Egonu, as opostas de Sérvia e Itália que dominaram este Mundial. E o espetáculo foi garantido pelas duas. De um lado a Egonu passando por cima de tudo quanto era bloqueio; do outro, a Boskovic cravando bolas no mínimo espaço livre deixado pela defesa italiana. Duas jogadoraças que elevaram o nível da decisão.

As duas certamente foram determinantes para que Itália e Sérvia chegassem à final do Mundial. No entanto, não se pode negar que ambas tiveram um entorno que as sustentaram com qualidade. Senão seriam mais uma Coreia do Sul, uma seleção de uma jogadora só, no caso, a Kim.

E foi o desempenho das demais jogadoras que fez a diferença para que a Sérvia levasse o seu primeiro título mundial. O tie-break deixou bem claro que a seleção tinha outras armas para além da Boskovic para levantar a taça. A primeira, a Ognjenovic, levantadora super talentosa e experiente, que geriu com perfeição o time na parcial final. A segunda arma, a Mihajlovic, atacante fundamental para dar vazão ao ataque sérvio durante todo o jogo e que correspondeu com segurança todas as vezes que foi acionada no quinto set.

Quando comparadas com suas correspondentes italianas, fica mais evidente que estas duas “coadjuvantes” fizeram a diferença para o ouro. A levantadora Malinov e a sua reserva, Cambi, sentiram o peso da decisão pela Itália. Tentaram fugir do óbvio, acionando as outras atacantes do time que não a Egonu e a Itália perdeu poder de definição no tie-break. Sylla, que vinha sendo uma parceira importante da Egonu no ataque, não fez uma boa final. Até a Bosetti marcou mais pontos de ataque do que ela. Sylla ainda foi responsável por alguns pontos em erros no set decisivo.

As duas seleções foram muito parecidas durante o jogo, mas a Sérvia foi mais time quando teve que ser.

Com o título mundial, a Sérvia coroa uma geração bastante especial, que conta com um fenômeno, a Boskovic, uma levantadora experiente e acima da média, a Ognjenovic, e um grupo de titulares bastante competentes, com destaques para a Mihajlovic e a Rasic. Nesta fase final do Mundial ainda se destacaram a líbero Popovic - que, para mim, foi outro ponto forte da decisão, principalmente na defesa – e a central Veljkovic, que, no ataque, roubou o protagonismo da Rasic.

A Sérvia ganhou outro nível de competitividade com a chegada da Boskovic e cresceu ao ritmo do amadurecimento desta jogadora. E o mesmo deve acontecer com a Itália e a Egonu.

Até pouco tempo atrás a Itália se limitava a uma jogadora extraordinária e um monte de peças boas soltas e mal aproveitadas. Mazzanti demorou, mas encontrou a formação ideal a tempo de fazer uma ótima campanha no Mundial. O desafio é conseguir partir deste nível para cima agora que o time não é mais uma novidade no cenário mundial e para ser uma das candidatas ao ouro em Tóquio 2020.

Além disso, a azurra tem jogadoras jovens numa posição que, naturalmente, vive-se o melhor momento na maturidade, lá pelos 30 anos. Malinov é muito boa levantadora, mas a inexperiência pesou na decisão. Ou seja, será natural se a Itália sofrer com a inconstância nos próximos dois anos.


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Seleção do campeonato: 

Levantadora: Ofelia Malinov (ITA)
Oposta:Paola Egonu (ITA)
Ponteiras: Miryam Sylla (ITA) e Zhu Ting (CHI)
Centrais: Yan Ni (CHI) e Milena Rasic (SER)
Líbero: Monica De Gennaro (ITA)
MVP: Tijana Boskovic (SER)

- Apesar de a Malinov ter feito um ótimo Mundial, o prêmio de melhor levantadora ficaria mais justo se entregue a Ognjenovic. A Sérvia deu o primeiro passo ao título quando ela retornou à equipe às vésperas do torneio. Ela é uma das poucas levantadoras em atividade capaz de consertar passes ruins e de colocar na pinta bolas super afastadas da rede, duas habilidades fundamentais num time como o sérvio que tem problemas na recepção. Até se pode pensar que, com as atacantes de bolas altas que tem à disposição, a Sérvia não precisaria de uma grande levantadora. Mas a temporada que a seleção teve com a Zivkovic nos mostra que, mesmo para as bolas simples na ponta, uma levantadora do nível da Ognjenovic faz uma diferença enorme. De qualquer forma, é muito bonito ver tanto a Malinov como a Ognjenovic jogarem, ainda mais para nós, torcedores brasileiros, que temos visto cada coisa ultimamente...

- O mais impressionante do Mundial da Egonu e da Boskovic é que elas não foram somente grandes pontuadoras no ataque, mas tiveram muito bom aproveitamento no fundamento. A sérvia teve cerca de 53% de efetividade enquanto a italiana 48%. E como pudemos conferir, não conquistaram estas estatísticas em jogos fáceis. As duas apareceram decisivas nas finais. Simplesmente foram as donas do Mundial 2018.
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